Tomar decisões é um desafio constante no processo de organizar um evento e pode ser crucial para o resultado do projeto. Uma decisão equivocada pode gerar situações difíceis de serem revertidas, por isso, surge a questão: como se preparar para tomar as melhores decisões possíveis e ter um evento de sucesso?

Eventos são acontecimentos únicos e efêmeros, tais características fazem com que muitas vezes as decisões tenham que ser tomadas de forma sucessiva e urgente, o que frequentemente causa um alto nível de pressão para quem está envolvido em sua organização.

O ato de decidir implica incumbir-se de responsabilidade e, o que é mais sério, aceitar e arcar com as consequências. São justamente os resultados de nossas escolhas que mostram a importância de preparar-se para defini-las. Então, como tomar decisões com segurança a despeito das consequências que trarão?

1.Investigar a situação em detalhes e estar munido de informações

Embora o tempo para tomar decisões durante a organização de um evento costume ser escasso, é fundamental procurar obter o máximo de informações e ter clareza sobre a situação em questão para minimizar as chances de um equívoco na decisão a ser tomada. Uma falha de comunicação, uma informação mal-entendida ou uma atitude relapsa na atenção aos detalhes pode ser crucial nesse processo. 

Além disso, é fundamental ter disponível, de forma organizada e de fácil acesso, o máximo de dados referentes ao evento. Quanto mais informações disponíveis, maiores serão os subsídios nos momentos de decisão antes e durante o evento.

Estar bem informado é o primeiro passo para decisões acertadas. 

2. Criar e avaliar alternativas

Quanto mais opções forem exploradas, maior será a probabilidade de uma decisão final precisa, porém, maiores também serão as dúvidas. Por isso, é importante antes de tomar qualquer decisão avaliar os riscos e implicações de cada uma das possíveis alternativas.  Nesse momento, é válido consultar outras pessoas envolvidas na situação sobre as possibilidades de resolução, discutir opções e até propor uma votação para se chegar a um consenso. Decisões compartilhadas podem ser uma boa forma de resolução de adversidades. Por isso, ter uma equipe com lideranças bem definidas e com expertise em suas áreas é de grande valia para que escolhas acertadas sejam estabelecidas durante um evento

3. Planejamento, preparo e calma

Imprevistos e até situações de emergência são casos típicos de momentos onde decisões importantes precisam ser tomadas em um período de tempo muito curto e em ambiente de tensão.  A necessidade de um atendimento médico emergencial, a queda de uma estrutura, a falta repentina de eletricidade, acidentes naturais e tantos outros fatos graves que podem atingir um evento são exemplos de momentos onde o planejamento e o preparo são diferenciais nas decisões a serem tomadas. Pensar nessas possíveis situações e se respaldar com planos de gestão de crise, treinamentos, serviços de socorro emergencial, entre outros, são medidas importantes de suporte no momento que a decisão se fizer necessária. 

É importante ressaltar que a tomada de decisão é um processo que envolve tanto a razão quanto a emoção, por isso, buscar o controle emocional nos momentos de tensão é de suma importância, visto que, o nervosismo em excesso contribui para decisões ruins, estresse e paralisia. Manter a calma e concentração pode garantir uma solução mais adequada ao caso, ainda que seja algo não esperado.

4. Minimizar o desgaste das decisões

O processo de tomada de decisões é algo que pode nos levar a um esgotamento de alto nível, visto que, de forma quase não perceptível, tomamos centenas de decisões todos os dias em nossa rotina (que roupa usar, qual caminho fazer até o trabalho, o que preparar para o jantar, etc). O professor de psicologia Roy Baumeister estuda as consequências da tomada de decisões e afirma que decisões sucessivas resultam na redução da força de vontade e do autocontrole, afetando diretamente a capacidade de fazer escolhas de forma adequada.[1]

Há formas para evitar ou reduzir o esgotamento ocasionado pelo excesso de decisões e que podem ser aplicadas com êxito na organização de eventos. Baumeister sugere que se cuide um problema de cada vez, encarando primeiro sempre as decisões mais complexas. 

O desgaste causado pela tomada de decisão em eventos também pode ser reduzido com a utilização de ferramentas que agregam ações e serviços. As novas tecnologias podem facilitar a administração e consulta de informações, melhorar a comunicação e agilizar processos, tornando, por vezes, o caminho da escolha mais claro e fácil. 

5. Ter segurança nas escolhas e encarar as consequências

Por fim, não podemos deixar de mencionar uma etapa importante do processo decisório: lidar com as consequências. Certamente a experiência faz com que realizar escolhas se torne gradualmente um ato menos custoso, contudo, nem a experiência nem os itens listados anteriormente eximem totalmente a possibilidade de uma decisão equivocada. Um excelente relato da vivência com a tomada de decisões e suas consequências é feito pelo renomado neurocirurgião Henry Marsh, em seu livro intitulado Sem causar mal[2], no qual conhecemos sua rotina na neurocirurgia, onde tomar decisões erradas pode causar graves sequelas ou mesmo custar a vida de seus pacientes. Marsh ressalta que, para seguir em frente, é necessário ter confiança e aceitar suas decisões:

“Todos os dias eu tomo várias dezenas de decisões que, se estiverem erradas, podem ter consequências terríveis. Meus pacientes precisam desesperadamente acreditar em mim, e eu preciso acreditar em mim mesmo também.”(MARSH,2016. P. 169)

Independente do quão drásticas sejam as consequências, podemos aplicar para o contexto dos eventos a importância de confiar em si mesmo e saber superar as consequências das escolhas realizadas. Um evento de sucesso é feito não só de decisões precisas, mas também, de aprendizados para enfrentar os próximos desafios.


[1] Baumeister, Roy F. Força de vontade: a redescoberta do poder humano / Roy F. Baumeister e John Tierney; tradução Claudia Gerpe Duarte. — São Paulo: Lafonte, 2012.

2 MARSH, Henry. Sem causar mal: histórias de vida, morte e neurocirurgia. 1. Ed. São Paulo: Nversos Editora, 2016.