Escolher uma profissão é um grande desafio, mas manter-se nela feliz, se reinventando, sendo produtivo e atingindo excelentes resultados é um desafio ainda maior. E para que esse desenvolvimento profissional seja mais leve e duradouro, capaz de ultrapassar as barreiras desse mundo corporativo extremamente dinâmico e exigente, acredito que é necessário manter um equilíbrio físico e mental. E eu encontrei essa “saída” no triathlon.

Não estou nem perto de ser uma atleta de alto rendimento, não ganho nada além de satisfação pessoal e uma medalha após a prova. Faço parte do grupo de amadores esforçados que encontraram no “nada, pedala e corre” uma imensa alegria nas pequenas conquistas e superações pessoais. O esporte é meu suporte mental, minha terapia, o meu momento de alívio da pressão diária que todos nós enfrentamos. Pode parecer contraditório, mas é levando meu corpo ao limite e ao cansaço que aprendi a descansar e preparar a mente!

Muito bem, e como fazer dois sonhos, duas rotinas exigentes, dois caminhos serem complementares? 

Tento enxergar, em um, ensinamentos para o sucesso do outro. É seguindo esta percepção que o triathlon passou a exercer uma importante influência no meu rendimento, escolha e equilíbrio profissional. E se analisarmos com cuidado, a trajetória para se conquistar um resultado esportivo é muito similar à profissional, quando pensamos sobre o que é necessário para percorrer (da melhor forma possível) todo o trajeto até se chegar ao resultado final em ambos.

Escolhi me arriscar nas provas longas do “nada, pedala e corre”, ou de cada uma em separado. Provas exigentes, sempre sofridas, mas que me trouxeram aprendizados importantes não apenas falando de limites físicos, mas mentais e organizacionais.

Partindo para um aprendizado mais prático, para seguir no esporte sem deixar as minhas tarefas profissionais em segundo plano, a gestão do meu tempo, organização e planejamento pessoal passaram a ser fundamentais. Sem essa organização, torna-se inviável manter a minha produtividade no trabalho, sendo competitiva profissionalmente e manter uma rotina de treinos intensa, necessária para se cruzar a tão desejada “linha de chegada”. 

Como isso reflete no meu dia-a-dia? 

Aprendi a fazer do tempo meu aliado, tento usufruir dele da forma mais eficiente possível (madrugamos muito!) para que ao final do dia ou da semana eu tenha conquistado a “planilha de treinos verde” e meus projetos entregues. Prioridades, escolhas e concessões são processos diários para organizar o dia-a-dia. Fácil? De forma alguma. Exige dedicação e foco, mas aprende-se que é possível.

Metas altas exigem grandes esforços, em todos os sentidos. Aqui eu faço mais um paralelo com os esportes que escolhi. Dizemos que o mais difícil não é completar a prova, mas sim passar por todo o ciclo de treinamento. A prova é só a “cereja do bolo”. Não treinamos apenas o corpo nos ciclos, treinamos a mente! E considero este o maior benefício. Precisamos aprender a lidar com inúmeras adversidades, a ter raciocínio rápido para mudança de determinada estratégia, são necessários planos B, C, D (e se furar o pneu, se a pista estiver molhada demais, se tiver ventando, se o mar estiver revolto, se acabar a água, se tiver cãibra…). Aprendemos diariamente a lidar com a dor (raro é não a ter), cansaço e as frustrações do processo, pois dependemos de inúmeros fatores alheios à nossa vontade. São testes constantes externos que temos que lidar rapidamente para seguir em frente. A tal da resiliência! Sem ela, entendo não ser possível permanecer se desafiando em provas de 4, 6, 10, 15 horas de duração!

Estas mesmas habilidades me são exigidas diariamente, gerenciar eventos é trabalhar com instabilidades, mudanças, readequações constantes e resoluções imediatas. Tudo isso demanda um importante controle mental e que pode ser treinado!

E, então vem a pergunta: mas por que se submeter a esta “loucura”? 

Nós, amantes de qualquer esporte somos movidos pela superação. Essa força de vontade que temos e que nos motiva, nos leva a um próximo desafio, a uma próxima prova, nova meta, que nos mantém no foco.  Para se atingir o objetivo de cruzar uma linha de chegada, é necessário viver o processo, aprender e crescer com ele. Desenvolvemos autoconfiança. O esporte te proporciona um autoconhecimento excepcional, de suas capacidades, habilidades, fraquezas, entendimento do seu potencial e até onde o seu limite é determinante. E esse autoconhecimento é essencial no enfrentamento das adversidades que a vida, não apenas profissional, nos impõe.

E tão importante quanto o desenvolvimento de habilidades, o triathlon me proporciona qualidade de vida, estar socialmente inserida num ambiente repleto de parcerias, apoios e fundado na reciprocidade. Me oferece em abundância a endorfina e serotonina, incrível sensação de bem-estar, mesmo após um treino sofrido! 

E estar bem comigo mesma reflete diretamente em qualquer entrega profissional!