(Ou “toda a unanimidade é burra. Quem pensa com unanimidade não precisa pensar” – Nelson Rodrigues)

Nada mais difícil no Brasil dos dias de hoje (e quem sabe no mundo todo) que discutir ideias diferentes, ouvir e ser ouvido, sem que a discussão descambe para agressões e os argumentos sejam substituídos por xingamentos de parte a parte.

Entretanto nada mais necessário para a construção de uma empresa, um negócio, um projeto ou um país que confrontar ideias e argumentos, discutir pontos de vistas diferentes para que ao final se chegue a melhor solução possível.

Jim Collins, autor dos clássicos “Empresas feitas para Vencer” e “Feitas para Durar”, foi capaz de resumir a importância do contraditório na liderança através do que ele chamou de “a genialidade do ‘E”. “A genialidade do “E” é buscar conciliar ideias contraditórias e, ao mesmo tempo, conseguir manter a capacidade do funcionamento. É saber montar um ótimo lugar para trabalhar e tirar as pessoas erradas. É unir criatividade e disciplina. É saber não abrir mão de certos princípios e produtos, mas por outro lado, abraçar as mudanças. É unir inovação e valores. É essa dinâmica que faz as empresas durarem”[1].

JIM COLLINS e a “Genialidade do “E”.


A importância do contraditório, do diferente, da diversidade, está justamente em permitir que, ao buscarmos objetivos comuns, possamos discutir todos os meios possíveis para alcançá-los, sem nos prendermos sempre aos mesmos conceitos e ideias. É a possibilidade de avaliar alternativas antagônicas que podem nos levar a escolhas melhores e a resultados surpreendentemente positivos.

O “diferente” na organização de eventos

Especificamente no que diz respeito ao planejamento e organização de eventos, não existe um único caminho para se obter sucesso. É preciso estimular entre os vários atores (promotores, organizadores, patrocinadores, comissões científica e organizadora, e congressistas) o debate de ideias e argumentos, especialmente no processo inicial de planejamento do evento, para a escolha adequada do local, do hotel de palestrantes, do tipo de evento que se quer realizar, da formatação da feira, do quanto de tecnologia se deseja utilizar, de quem são os patrocinadores e que contrapartidas realmente desejam. Não há uma resposta única. E tão pouco uma única pessoa com resposta para todas as questões. É somente através do debate de ideias e argumentos e pelo exercício da capacidade de ouvir e ser ouvido que encontraremos as melhores alternativas.

É nisso que reside o poder do diferente. Ter uma equipe multidisciplinar, com pessoas com características diferentes e complementares, melhora a capacidade de acerto e a qualidade do debate. Uma equipe de iguais funciona em um mundo de respostas iguais – e esse com certeza não é o nosso mundo hoje.

Toddworld: um desenho animado que tem muito a ensinar sobre tolerância, diversidade e aceitação.


Ensinamentos estão em toda parte

Portanto, cabe a cada um de nós uma autorreflexão: até que ponto estamos abertos ao contraditório, a aceitar os diferentes, a ouvir mais do que ser ouvido? Nesse sentido, um desenho animado que assistia com meus filhos, quando pequenos, ToddWorld, tem muito a nos ensinar quanto a tolerância, diversidade e aceitação. Na próxima reunião ou debate que participar, observe-se melhor e busque compreender, afinal, se você verdadeiramente aceita o diferente, se escuta com atenção e se discute em cima de argumentos, ou se simplesmente quer que sua opinião prevaleça. Comece por você. Esse é um jeito simples de construir um mundo melhor!



[1]Reportagem publicada na revista Época Negócios, de 04/11/2014, “As dicas de Jim Collins para sua empresa chegar ao topo


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