Logo que a CCM (Central de Congressos Médicos) começou, criamos um evento chamado Fórum de debates sobre as relações entre: indústria farmacêutica, comunidade científica, governo e mídia.

tema na época era Medicina por um Mundo Melhor.

Pretensioso? Provavelmente, mas fazia parte da nossa juventude. Eu, Figura e meu sócio, Tchê (conhecido hoje como Alex) aos 26 anos, acreditávamos em nossos potenciais e na possibilidade de nos envolvermos em algo que realmente fizesse diferença.

Lembro que as discussões e palestras na ocasião foram bastante objetivas e permitiram uma troca de visões e opiniões muito interessante. Os quase 300 participantes convidados para aquele evento em Viamão (cidade próxima a Porto Alegre) – entre eles o presidente da Interfarma, o presidente do CFM, a diretoria da Anvisa, jornalistas especializados em ciências, diretores médicos/profissionais do marketing da indústria farmacêutica, presidentes de sociedades médicas e gestores destas mesmas entidades – baixaram todas as cortinas e debateram assuntos que poderiam parecer espinhosos, mas que sempre fizeram parte da área da saúde.

A sinceridade de todos os envolvidos foi cativante. As discussões chegaram a ser acaloradas, mas o objetivo era comum: como oferecer melhor atendimento, buscando atualização científica, alertando os pacientes dos riscos da automedicação, sem deixar que interesses comerciais pudessem prevalecer nas decisões do tratamento.

A conclusão, que deveria ser algo fácil de se ver, foi que respeitando limites, incluindo, por exemplo, o que deveria ser publicado pela mídia (que muitas vezes criava falsas expectativas sobre novos tratamentos ainda não testados), todos tinham um papel fundamental para atingir o objetivo citado e poderiam contribuir de alguma forma para melhorar as relações entre os diferentes atores desse mercado.

A descoberta da essência.

O papel do CCM GROUP continua sendo o mesmo: organizar e gerenciar congressos médicos, mas aquele tema continua presente em nossa essência…

Acreditamos que com o nosso envolvimento no suporte científico, seleção, negociação com fornecedores e viabilização de parcerias com empresas que investem em pesquisa, contribuímos para que cada vez mais médicos estejam preparados para atender, diagnosticar e tratar pacientes com doenças e desafios rotineiros ou complexos.

Valorizamos muito e reconhecemos o esforço dos nossos clientes e palestrantes em compartilhar o conhecimento que possuem nos importantes congressos científicos que a CCM se empenha em realizar.

Tendo aquele tema como parte do nosso propósito desde o início da empresa, aceitamos o desafio de nos entregarmos para projetos de associações de pacientes. Foi assim com o Congresso da Associação Brasileira de Alzheimer, com o primeiro grande evento das associações de Parkinson do Brasil (estamos repetindo o congresso este ano), o Brasileiro de Autismo, o evento das Associações de Doenças dos Distúrbios de Movimento, o encontro de pacientes com ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), o Fórum de pacientes com doenças desmielinizantes e vários outros. Desculpe, não dá pra citar todos aqui…

 Mantivemos, nestes 17 anos da nossa vida como instituição, esta dedicação “voluntária” (tem sido um prazer nos envolvermos) quase como um segredo. Noventa por cento dos nossos clientes saberão somente agora, se lerem este texto. Lembro que o Tchê (conheço meu parceiro desde que tínhamos 11 anos), chegou a ser tesoureiro da Associação de Parkinson, sinceramente não sei como ele consegue fazer tantas coisas ao mesmo tempo.

Estamos mais maduros, mas ainda achamos que podemos fazer diferença… acho que parte é por teimosia. Há dois anos lançamos um projeto, o Patients Included, que registra histórias incríveis. Para quem trabalha com saúde elas podem parecer rotineiras, de personagens reais agradecidos por terem encontrado o profissional certo que fez toda a diferença no tratamento/cura de si mesmos ou de familiares e amigos. Já temos 12 filmes e quando concluirmos os registros vamos pensar em como divulgá-los. Esta é outra experiência muito gratificante. 

Patients Included: Letícia Ramos Rocha

Temos a honra de conhecer pessoas que representam a excelência na pesquisa, na prática clínica e cirúrgica, que certamente conquistaram seus espaços com muita dedicação.

Ok… pausa.

Qual a razão deste título tão banal acima, repetido em inúmeros artigos e livros que já cansamos de consultar? Sabedoria popular: “O calo só dói quando o sapato aperta”.

O Alex e eu temos bastante experiência na área da saúde, adquirida em anos de trabalho, primeiro separados (eu atendendo a indústria farmacêutica em agência de propaganda e ele como gestor financeiro da Rede D’Or) e depois juntos na CCM. Some-se a isso meu relacionamento com amigos e, principalmente parentes portadores de doenças crônicas degenerativas. Isso nos deu muito conhecimento adquirido do mercado de saúde, mas tudo que achava entender até então vinha de uma visão teórica, sem vivência. 

Há exatamente 1 ano (08/05/18) fui submetido a minha primeira cirurgia para curar um câncer, que havia descoberto um mês antes. Tumor neuroendócrino de pâncreas, agressividade 2 com 1,5kg e do tamanho de uma bola de futebol de salão. Detalhe, este foi o que matou Steve Jobs, lembro que eu usava o mesmo tênis que ele e gostava de pensar que, com aquele New Balance, teria ideias mais criativas.

Meu objetivo não é chatear ninguém com o final deste texto, sei que é um assunto literalmente pesado, mas tenho procurado estimular, desde então, que todos façam exames periódicos. Falo isso para qualquer pessoa que encontro no caminho, os motoristas de Uber não aguentam mais me ouvir.

Só fui diagnosticado, por causa da morte inesperada do meu sogro e grande amigo Plínio, que fez com que eu e meu sócio fizéssemos um check-up. Isso mesmo, eu não sentia nada, e certamente não estaria aqui se não fosse por ele.

Tive realmente muita “sorte” em descobrir o tumor. Meu cirurgião chamou minha atenção sobre o uso desta palavra já na primeira consulta. Segundo ele, ninguém deveria achar-se afortunado em ficar sabendo que tem esta doença. Perdi um grande amigo e a Ju, minha esposa, o seu super pai mas ganhei uma chance.

Quase quatro meses de internação, baço, estômago, vesícula biliar, 2/3 do pâncreas, parte do duodeno, parte dos intestinos grosso e delgado a menos e, após quatro cirurgias (a última há 30 dias), estou livre!

Voltei mais experiente, positivo, pensando no futuro e com todo o gás. Contem sempre com o CCM GROUP e comigo, nós gostamos do que fazemos e do nosso propósito!

Um grande abraço do Figura – Eduardo Corrêa da Silva

ps. cuidem de tudo, trabalho, amigos, família, mas não esqueçam o principal, a saúde.


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